Esôfago

Câncer

O que é?

O esôfago é um tubo muscular membranoso e oco que impulsiona, através de contrações involuntárias (peristaltismo), alimentos e líquidos presentes na garganta até o estômago. A parede do esôfago é composta de várias camadas de tecido, incluindo a mucosa, submucosa, múscular e adventícia.

Anatomicamente dividimos esse orgão em: uma proximal, uma média e outra distal.

O câncer de esôfago é uma doença na qual células malignas começam a desenvolver-se, na maioria das vezes, no revestimento interno (a mucosa) e, dependendo de sua evolução, podendo se extender para as outras camadas.

No Brasil, o câncer de esôfago é o 6º mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, o INCA, em 2014 deverão ser registrados, ao todo, cerca de 10.780 novos casos de câncer de esôfago, sendo 8.010 homens e 2.770 mulheres.

Tipos

Existem dois tipos principais de câncer de esôfago: o carcinoma epidermoide escamoso, responsável por cerca de 96% dos casos, adenocarcinoma e alguns tipos mais caros, com incidência menor que 1%: linfomas, sarcomas, carcinomas de células pequenas e tumores adenoides císticos. Eles diferem tanto quanto à morfologia, localização e quanto às causas.

Carcinoma epidermoide escamoso ou Carcinoma espinocelular

O tipo mais comum de todos, responsável por quase a totalidade dos casos de câncer de esôfago, se desenvolve na região superior (proximal) ou média do órgão e tem, como o próprio nome diz, origem nas células escamosas. Suas causas mais frequentes estão relacionadas ao consumo exacerbado de álcool e ao tabagismo.

Adenocarcinoma

Este que é o segundo tipo mais comum surge de células glandulares, geralmente da parte inferior (distal) do esôfago, e está relacionado à doença do refluxo gastroesofágico, à obesidade e também ao tabagismo.

Causas

As causas do câncer são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo, estando ambas inter-relacionadas. As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e aos hábitos ou costumes próprios de um ambiente social e cultural. As causas internas são, na maioria das vezes, geneticamente pré-determinadas, e estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas. Esses fatores causais podem interagir de várias formas, aumentando a probabilidade de transformações malignas nas células normais.

As causas exatas do câncer de esôfago ainda não estão totalmente esclarecidas, mas sabe-se que a doença ocorre quando as células do esôfago desenvolvem mutações em seu DNA. As células que sofrem esse processo determinam o tipo de câncer que o paciente tem. Essas mutações fazem com que as células cresçam e se dividam a um ritmo acelerado e descontrolado. As que se acumulam formam um tumor no esôfago que pode se disseminar para outros órgãos e outras partes do corpo.

Fatores de risco

Acredita-se que qualquer agente que cause irritação crônica do esôfago pode contribuir para as mudanças no DNA das células que revestem o órgão, levando ao câncer. Fatores que causam essa irritação e que, portanto, aumentam o risco de câncer de esôfago incluem:

  • Uso abusivo de bebidas alcoólicas
  • Tabagismo
  • Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)
  • Refluxo biliar
  • Acalasia
  • HPV
  • Ingestão de líquidos muito quentes
  • Adotar uma dieta pobre em frutas e verduras
  • Obesidade
  • Esôfago de Barrett
  • Radiação na região do peito ou do abdômen superior
  • Tilose
  • Síndrome de Plummer-Vinson.

Sintomas

Em sua fase inicial, o câncer de esôfago não apresenta quaisquer sinais ou sintomas. No entanto, com a progressão da doença, alguns sintomas característicos deste tipo de câncer começam a aparecer:

  • Dificuldade ou dor ao engolir alimentos sólidos e posteriormente líquidos (disfagia)
  • Dor retroesternal (atrás do osso do meio do peito)
  • Dor torácica
  • Perda de peso
  • Náuseas e vômito
  • Perda de apetite
  • Rouquisão
  • Tosse perdistente, soluços
  • Pneumonia
  • Dor óssea
  • Sangramentos

Na maioria das vezes, a dificuldade de engolir, também chamada de disfagia, é um sinal de que o câncer já se encontra em estado avançado. Por causa dos sintomas, é comum que pacientes com câncer de esôfago percam muito peso.

Ter um ou mais destes sintomas não significa que a pessoa tenha câncer de esôfago. Na verdade, muitos destes sintomas são mais propensos a ser causados por outras condições. Ainda assim, se você tiver algum destes sintomas, principalmente dificuldade para engolir, é importante que seja acompanhado por um médico para que a causa possa ser diagnosticada e tratada.

Diagnóstico e estadiamento

Pacientes com doenças como refluxo gastro-esofágico, tilose, Pummer-Vinson, e esôfago de Barret devem fazer acompanhemento endoscópico regular mesmo sem quaisquer sintomas da doença, visto que o câncer de esôfago em seus estágios iniciais é assintomática. A diagnostico precoce aumenta em muito a chance de cura.

O diagnóstico de câncer de esôfago é feito principalmente por endoscopia digestiva. Neste procedimento, sob uma leve sedação, uma microcâmera é introduzida pela boca para a investigação do interior do tubo digestivo. Durante o exame amostras de tecido (biópsias) podem ser realizadas para estudo histopatológico e confirmação diagnóstica.

Confirmado o diagnóstico, outros exames serão solicitados para definir a extensão da doença. A isso damos o nome de Estadiamento.

A tomografia computadorizada de pescoço, tórax a abdome poderá avaliar tanto o tumor primário como a possibilidade de metástases à distância. O ultrassom endoscópico, no qual um aparelho de ultrassonografia é aplicado à microcâmera da endoscopia poderá ajudar no grau de invasão das paredes do esôfago e na avaliação do comprometimento de estruturas adjacentes. O PET- Scan é um tipo de tomografia mais sensível na detecção de doença metastática e pode ser usado no estadiamento pré-operatório, chegando a mudar conduta em até 20% dos casos. Broncoscopia pode ser útil para avaliar invasão da traqueia e brônquios, principalmente em tumores no esôfago médio.

Conhecer o estágio exato do câncer ajuda a determinar, entre outros detalhes, as opções de tratamento mais eficazes.

Estágio I
O câncer ocorre nas camadas superficiais das células que revestem o esôfago.

Estágio II
O câncer já invadiu camadas mais profundas da mucosa do esôfago e pode se espalhar para os nódulos linfáticos próximos.

Estágio III
O câncer se espalhou para as camadas mais profundas da parede do esôfago, para os tecidos próximos ou, ainda, para os gânglios linfáticos.

Estágio IV
O câncer se espalhou para outras partes do corpo.

Tratamento

O tratamento do câncer de esôfago pode ser feito em três abordagens distintas ou combinadas: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Geralmente, a combinação dos três tipos pode ser mais eficiente do que qualquer um deles isoladamente, mas o médico avaliará qual a melhor opção para o seu caso. Para tumores em estágios iniciais, a ressecção endoscópica ainda pode ser um procedimento viável. Trata-se de uma intervenção na qual o tumor é retirado através de uma microcâmera introduzida pela boca, sem necessidade de cortes. No entanto, este tipo de tratamento é bastante raro para pacientes com câncer de esôfago.

Na maioria dos casos, a opção mais indicada é a cirurgia, que pode ser utilizada tanto na retirada do tumor (principalmente se ele for pequeno, localizado e, portanto, ainda em estágios iniciais) quanto na paliação, recomendada quando o tumor já se espalhou para estruturas vizinhas e gânglios linfáticos, impossibilitanto a sua retirada. As cirurgias paliativas são indicadas quando a ressecção torna-se impossível. Nestes casos, e quando o esôfago está obliterado, podemos indicar uma cirurgia de bypass na qual o trânsito intestinal é alterado para que o paciente possa comer.

Dependendo da extensão da doença, o tratamento pode ser unicamente paliativoe não cirúrgico, ou seja, sem finalidade curativa, por meio de quimioterapia ou radioterapia.

Complicações

Com a progressão do câncer de esôfago, podem surgir algumas complicações, como:

Obstrução do esôfago
O câncer pode tornar difícil ou até mesmo impossível para uma pessoa ingerir alimentos e líquidos por meio do esôfago

Sangramento no esôfago
Pneumonia

Se o tratamento não surtir o efeito desejado, o câncer pode se disseminar para outras partes do corpo, levando ao surgimento de metástases e tornando o tratamento ainda mais difícil. As chances de cura para esses casos são bem mais baixas.

Prognóstico

As chances de cura de câncer de esôfago são muito grandes para os casos diagnosticados precocemente. Como em todos os cânceres, a cura também é possível para estágios iniciais. Quando o câncer já se disseminou por outras partes do corpo, o tratamento fica mais difícil e as chances de cura automaticamente caem.

Prevenção

É possível tomar algumas medidas para reduzir o risco de câncer de esôfago. Veja:

  • Pare de fumar
  • Ingira bebidas alcóolicas com moderação
  • Adote uma dieta com mais frutas e legumes
  • Mantenha um peso saudável.
  • Trate o refluxo gastroesofágico

Referências;

  • Instituto Nacional do Câncer – INCA
  • Clinica Mayo
  • Centro de Câncer Sloan Kettering
  • National Institute of Cancer – NCI
  • Hospital A.C. Camargo
  • Hospital de Câncer de Barretos
  • Grupo COI

Atenção: A informação existente neste site pretende apoiar e não substituir a consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com um médico da sua confiança. Marque uma consulta.

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