Cólon e Reto (Intestino grosso)

O que é?

O intestino grosso corresponde à parte final do tubo digestivo, entre o intestino delgado e o ânus e é dividido em cólon e reto. Já o intestino delgado se conecta ao cólon em uma região chamada ceco. O cólon ainda pode ser dividido em 4 porções:

  • cólon ascendente, que inclui o ceco e se localiza na parte direita do abdome;
  • cólon transverso, que atravessa a parte superior do abdome da direita para esquerda;
  • cólon descendente, localizado na parte esquerda do abdome;
  • cólon sigmóide, que tem forma de S e se conecta ao reto, na parte inferior esquerda do abdome.

O reto se localiza na cavidade pélvica, parte inferior do tronco. A parte final do reto é que se conecta ao ânus, por onde saem as fezes.

A principal função do intestino grosso é extrair água e sais minerais dos alimentos previamente digeridos, após passarem pelo estômago e pelo intestino delgado. O conteúdo fecal torna-se mais pastoso e sólido à medida que é conduzido ao longo do cólon, sendo finalmente armazenado no reto, antes da evacuação.

O câncer colorretal, também chamado de carcinoma, tem origem na camada interna do intestino grosso, a camada mucosa. O processo que leva à formação de um carcinoma pode levar vários anos. Antes da transformação em carcinoma, a maioria dos tumores se origina a partir de pequenas lesões chamadas pólipos adenomatosos. Esses pólipos, apesar de benignos, são considerados precursores dos carcinomas colorretais. Portanto, uma das maneiras mais eficazes de evitar o aparecimento de câncer colorretal é por meio da remoção dos pólipos por meio da colonoscopia.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 32.600 novos casos por ano, sendo 15.070 homens e 17.530 mulheres. Além disso, o câncer de cólon faz aproximadamente 14 mil vítimas por ano no Brasil.

Causas

O câncer de cólon resulta de alterações em um grupo de genes de reparo do DNA. Quando esses genes estão alterados, o sistema de reparo não é capaz de corrigir alterações no código genético, facilitando o desenvolvimento de câncer. A grande maioria desses tumores se origina dos pólipos adenomatosos.

Fatores de risco

Pólipos adenomatosos: os pólipos adenomatosos vão em algum momento se alterar, até evoluírem para adenocarcinoma, que é o câncer de cólon mais comum. Este é o principal motivo para se indicar a colonoscopia, pois esses pólipos podem ser retirados quando pequenos e ainda benignos;

  • Idade acima dos 50 anos
  • dieta baseada em consumo excesivo de carne vermelha; rica em gorduras e pobre em fontes de fibras (frutas e verduras);
  • falta de exercícios físicos regulares (sedentarismo);
  • tabagismo;
  • consumo exagerado de bebidas alcoólicas.
  • Diabetes e obesidade
  • História familiar

Ter uma dieta balanceada, rica em frutas e verduras, praticar regularmente exercícios físicos e não fumar representam medidas de grande benefício para o controle da obesidade, de doenças cardiovasculares, e também do câncer, principalmente, quando iniciadas na juventude.

Apesar da maioria dos casos de câncer colorretal estar associada aos hábitos de vida, sabe-se que alguns tumores têm como causa fatores hereditários, ou seja, um risco que pode ser transmitido de geração em geração.

A ocorrência de vários casos de câncer na família e de pólipos intestinais (pequenos tumores benignos do intestino grosso), principalmente, antes dos 50 anos de idade, indicam uma possível causa hereditária para a doença. A opinião de um especialista é fundamental nestas situações, particularmente, em relação ao diagnóstico e à abordagem dos tumores hereditários.

As chamadas doenças inflamatórias intestinais são raras em suas formas mais severas, mas também apresentam um risco elevado para a ocorrência do câncer colorretal, após alguns anos de evolução da doença. Estas doenças incluem a retocolite ulcerativa inespecífica e a doença de Crohn. Também devem seguir esquemas específicos de acompanhamento para a detecção precoce do câncer colorretal.

Sintomas

Muitas pessoas com câncer de cólon não têm quaisquer sintomas nos estágios iniciais da doença. Quando os sintomas aparecem, eles podem variar, dependendo do tamanho e localização do câncer no seu intestino grosso. Os sintomas mais comuns são:

  • Uma mudança em seus hábitos intestinais, incluindo diarreia ou constipação
  • Fezes pastosas de cor escura
  • Sangramento retal ou sangue nas fezes
  • Desconforto abdominal persistente, como cólicas, gases ou dor
  • Sensação de que o seu intestino não esvazia completamente
  • Fraqueza ou fadiga
  • Perda de peso inexplicável
  • Náuseas e vômito
  • Sensação dolorida na região anal, com esforço ineficaz para evacuar.

Uma pessoa com câncer de cólon pode não necessariamente apresentar todos esses sintomas juntos – mas o principal é a presença de sangue nas fezes. Por isso, se notar quaisquer sintomas de câncer colorretal, tais como sangue nas fezes ou uma alteração persistente nos hábitos intestinais, marcar uma consulta com o seu médico.

Diagnóstico e estadiamento

Tanto os pólipos como os carcinomas em fases iniciais costumam quase não causar sintomas. Nesse sentido, o rastreamento é fundamental, já que tem como principal objetivo detectar a doença em fase inicial, muitas vezes ainda antes da completa transformação em carcinoma invasor. Com isso as chances de cura se tornam muito mais elevadas.

As recomendações atuais para o rastreamento do câncer colorretal incluem todas as pessoas acima dos 50 anos de idade, independentemente de apresentarem sintomas. No entanto, pacientes mais jovens, com histórico familiar de câncer, também devem ser avaliados.

A colonoscopia é o principal exame para o rastreamento do câncer colorretal. Consiste no estudo endoscópico do intestino grosso, ou seja, a introdução de uma câmera flexível pelo ânus. O exame é realizado sob sedação e requer um bom preparo do intestino por meio do uso de laxantes específicos. Durante a colonoscopia é possível detectar e remover, na maioria das vezes, os pólipos intestinais.

Outros exames também podem ser utilizados, mas a indicação deve ser discutida de maneira individualizada entre médicos e paciente.

Imediatamente após o diagnóstico de câncer de cólon ou reto, o próximo passo é a realização de exames para estadiamento da doença, que irão identificar a sua extensão. Nesses casos, estão incluídos os exames físicos, laboratoriais, radiografias, tomografias, exames de ressonância magnética e, algumas vezes, o PET-CT.

Imediatamente após o diagnóstico de câncer de cólon, o próximo passo é a realização de exames para estadiamento da doença, que irão identificar a sua extensão. Nesses casos, estão incluídos os exames físicos, laboratorias, radiografias, tomografias, exames de ressonância magnética e, algumas vezes, o PET-CT.

A indicação e a sequência correta desses exames dependem da localização do tumor (cólon ou reto) e da suspeita de metástases. Todo o tratamento é planejado a partir do estadiamento, portanto não é correto iniciar o tratamento antes da identificação do grau de estadiamento. Os estadios para câncer de cólon são:

  • Estadio I: câncer crescendo no revestimento superficial (mucosa) do cólon ou do reto, mas que não se espalhou além da parede do cólon ou reto
  • Estadio II: o câncer já se espalhou através da parede do cólon ou reto, mas não invadiu os linfonodos próximos
  • Estadio III: o câncer invadiu os nódulos linfáticos próximos, mas não está a afetando em outras partes do corpo
  • Estadio IV: O câncer se espalhou para outros órgãos, tais como fígado ou pulmão.

Tratamento

O tratamento do câncer colorretal é multidisciplinar, ou seja, envolve cirurgia, quimioterapia e, nos tumores do reto, também a radioterapia.

Se o câncer é pequeno e em um estágio muito inicial, a remoção poderá ser realizada durante a colonoscopia. Pólipos maiores podem ser removidos com a ressecção endoscópica da mucosa.

A cirurgia é necessária em praticamente todos os casos e pode ser a única forma de tratamento, nas fases muito iniciais, porém, nem sempre é a primeira forma de tratamento. A sequência correta é baseada na localização do tumor e no estadiamento e deve ser muito bem planejada por uma equipe experiente.

A cirurgia se baseia na remoção do segmento acometido do intestino grosso, com margens de segurança adequadas, incluindo a área de drenagem linfática da região.

Atualmente, muitas cirurgias para tratamento de câncer colorretal são realizadas por videolaparoscopia, técnica que permite incisões menores e recuperação mais rápida.

Nos tumores do reto, pode ser necessária a realização de uma colostomia ou ileostomia. Isso significa a exteriorização do intestino na parede abdominal para saída de fezes. Na grande maioria das vezes, a colostomia ou a ileostomia são provisórias, mas pode ser definitiva. A necessidade desse procedimento depende de vários fatores, sendo o principal deles a proximidade do tumor em relação ao ânus. Avanços nas técnicas cirúrgicas, assim como na radioterapia e na quimioterapia, têm permitido a ampliação das possibilidades de preservação da função evacuatória por via anal.

Já os avanços no tratamento combinado, incluindo quimioterapia e radioterapia, permitem ampliar a indicação da abordagem curativa, mesmo em casos avançados da doença. Para isso, é fundamental dispor de um enfoque multidisciplinar que envolva especialistas no tratamento oncológico.

Quimioterapia

A quimioterapia sera indicada após análise, pelo patologista, do material retirado. Dependendo do estadiamento histopatológico e clinic, haverá ou não indicação do tratamento adjuvante.

Este tratamento pode ser utilizado para alívio dos sintomas da doença disseminada (câncer de cólon que se espalhou para outras áreas do corpo), ou então antes da cirurgia, para reduzir o tumor antes de uma operação. Em pessoas com câncer retal, a quimioterapia pode ser utilizada junto da radioterapia.

Radioterapia

A radioterapia que usa radiação ionizante no local do tumor, normalmente indicada para eliminar células cancerosas que restaram no tecido colorretal após uma cirurgia para retirada do tumor, ou então para reduzir tumores grandes antes de uma operação, de modo que eles possam ser removidos mais facilmente. O médico também pode indicar a radioterapia para aliviar os sintomas de câncer de cólon e câncer retal.

A radioterapia é raramente usada para câncer de cólon em estágio inicial, mas é parte da rotina de tratamento de câncer retal, especialmente se o câncer penetrou na parede do reto ou para os nódulos linfáticos próximos. A radioterapia, combinada com a quimioterapia, podem ser indicadas após a cirurgia para reduzir o risco de o câncer reaparecer (recidiva).

Terapia alvo

A terapia alvo utiliza drogas ou outras substâncias que tem a função de identificar e atacar as células cancerígenas com pouco dano às células normais. Cada tipo de terapia alvo funciona de uma maneira diferente, mas todas alteram a forma como uma célula cancerígena cresce, se divide, se autorrepara, ou como interage com outras células. A terapia alvo é indicada para pacientes que tem alterações específicas em seus tumores, e nem sempre pode ser indicado como tratamento, pois não beneficia a todos.

Complicações

As complicações ligadas diretamente ao câncer de cólon envolvem:

  • Obstrução do colon
  • Hemorragia
  • Perfuração
  • Recidiva após tratamento
  • Disseminação do câncer para outros órgãos ou tecidos (metástase)
  • Desenvolvimento de um segundo câncer de cólon primário.

Prognóstico

O prognóstico do câncer de cólon e reto dependerá da extensão da doença no momento do diagnóstico, das características biológicas do tumor e das condições de saúde do paciente. Com os avanços das técnicas cirúrgicas, da radioterapia e dos medicamentos (quimioterápicos), o prognóstico é muito bom para a maioria dos pacientes.

A introdução da detecção precoce por meio do rastreamento aumenta as chances de identificar um tumor inicial e com isto melhorar ainda mais o prognóstico.

Prevenção

O teste mais específico para avaliação direta do intestino grosso e reto é a colonoscopia. Trata-se de uma endoscopia feita pelo ânus, que permite a visualização direta de toda a mucosa intestinal em sua circunferência, desde o reto até o íleo terminal (fim do intestino delgado) e possibilitando coleta de material para análise.

Um estudo feito por pesquisadores do Massachusetts General Hospital Gastrointestinal Unit descobriu que fazer uma colonoscopia a cada 10 anos a partir dos 50 anos de idade poderia evitar 40% dos casos de câncer colorretal. O estudo acompanhou mais de 89 mil profissionais de saúde durante um período de 20 anos e foi publicado no New England Journal of Medicine. A colonoscopia se tornou exame de rotina como prevenção de câncer colorretal, e deve começar a ser feito a partir dos 50 anos de idade para pessoa sem histórico familiar da doença. Aqueles que possuem fatores de risco devem incluir o exame na rotina após os 40 anos ou 10 anos antes da idade do caso mais precoce na família. A colonoscopia também pode ser indicada em investigação de dores abdominais, alteração do hábito intestinal, hemorragias pelo ânus, diarreias e outras queixas relacionadas. Se os exames forem normais, devem ser repetidos a cada cinco ou dez anos. Já o resultado alterado deve ser repetido conforme orientação do médico.

Além da história genética, a presença de doenças inflamatórias intestinais crônicas, como a doença de Crohn e a retrocolite ulcerativa, aumenta o risco de câncer de cólon e reto. Isso acontece devido ao estímulo inflamatório constante, que culmina acelerando a multiplicação celular. Portanto, pacientes portadores dessas doenças devem manter uma regularidade maior dos exames: de um modo geral, anualmente após oito anos de doença se portador de colites ou uma vez a cada dois anos se tiver uma doença que afeta um segmento específico do intestino, como diverticulite.

O consumo de frutas, legumes, verduras e grãos integrais aumenta a quantidade de bactérias do intestino, ajudando no seu pleno funcionamento. Com a microbiota (flora intestinal) funcionando a todo vapor, é mais fácil para o órgão suprimir a atividade de outras bactérias que são nocivas e podem formar substancias tóxicas. Além disso, um intestino saudável ajuda a eliminar com regularidade os metabólitos tóxicos do organismo na evacuação. As fibras das frutas, verduras e cereais regularizam o trânsito, diminuindo o tempo de exposição da mucosa intestinal a substâncias potencialmente cancerígenas.

Estar com o peso acima do que é considerado saudável também pode ser um fator de risco para o câncer de cólon. Um estudo publicado no American Journal of Epidemiology revelou que a obesidade e acúmulo de gordura abdominal aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver câncer de cólon e reto.

A prática de exercícios físicos regularmente pode reduzir a incidência de câncer de intestino.

Relação direta entre álcool e câncer de intestino não está completamente estabelecida, como acontece com carne vermelha, frutas e verduras e exercício físico. Entretanto, é sabido que pessoas que ingerem grandes quantidades de álcool estão em maior risco para desenvolver a doença.

Hoje existem mais de 100 estudos científicos comprovando que o cigarro é causa de câncer de intestino. De forma global, quem fuma tem 18% mais chance de desenvolver câncer de cólon e reto quando comparado ao não-fumante.

Referências:

  • Instituto Nacional do Câncer – INCA
  • Clinica Mayo
  • Centro de Câncer Sloan Kettering
  • National Institute of Cancer – NCI
  • Hospital A.C. Camargo
  • Hospital de Câncer de Barretos
  • Grupo COI


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